Vida profissional
Autismo no trabalho
Muitos autistas são ótimos profissionais e, ao mesmo tempo, se esgotam com o que o trabalho exige além do trabalho: reuniões sem pauta, barulho, mudanças em cima da hora e regras que ninguém explica.
Contar ou não para a empresa?
Não existe obrigação de contar. A decisão é sua, e pode mudar com o tempo e com o ambiente.
A favor de contar
- Dá base para pedir adaptações.
- Ajuda a explicar comportamentos que podem ser mal interpretados.
- Abre acesso a vagas reservadas, se você tiver laudo.
Contra, ou para esperar
- Preconceito ainda existe, mesmo sendo ilegal.
- Nem todo gestor sabe lidar bem com a informação.
- Você pode pedir adaptações sem citar o diagnóstico.
Um meio-termo comum é contar primeiro para o RH ou para um gestor de confiança, e não para a equipe toda.
Adaptações que você pode pedir
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) prevê "adaptações razoáveis": ajustes que não geram custo ou esforço exagerado para a empresa. Muitas são simples:
- Instruções e combinados por escrito, não só falados.
- Pauta enviada antes das reuniões.
- Aviso prévio de mudanças de rotina, de equipe ou de lugar.
- Fone com cancelamento de ruído, mesa num canto mais calmo ou trabalho remoto em alguns dias.
- Feedback direto e específico, em vez de indiretas.
- Pausas curtas entre reuniões ou depois de eventos sociais.
Entrevistas de emprego
- Você pode pedir as perguntas, ou os temas, com antecedência.
- Pode pedir uma etapa por escrito ou um teste prático no lugar de uma dinâmica de grupo.
- Prepare exemplos concretos do seu trabalho. Eles costumam falar mais do que a conversa social da entrevista.
Vagas para pessoas com deficiência
Empresas com 100 ou mais funcionários precisam reservar de 2% a 5% das vagas para pessoas com deficiência (Lei 8.213/1991), e concursos públicos também reservam vagas. Como a lei considera o autista pessoa com deficiência, essas vagas valem para você. Para concorrer, normalmente é preciso apresentar o laudo.
Veja mais em direitos da pessoa autista.
Se o trabalho estiver te esgotando
Cansaço extremo, perda de habilidades que você tinha e necessidade de se isolar mais podem ser sinais de burnout autista. Vale conversar com um profissional de saúde e rever o que no trabalho está consumindo mais energia.